QG Entrevista DIGGO #27
On 02/09/2026 by Fabio GomesCom uma trajetória marcada pela versatilidade e por sucessos como compositor, DIGGO vive uma nova fase da carreira ao assumir também o protagonismo como intérprete. Natural de Salvador, o artista leva para seu trabalho a musicalidade e a identidade baiana, além das diferentes referências que acumulou ao longo dos anos transitando por gêneros como pagode, sertanejo e pop.
Em conversa com o QG DA MÚSICA, Diggo fala sobre a transição da composição para os palcos, a parceria com Léo Santana em “Hipnotiza”, o crescimento do “PagoDiggo”, o audiovisual “DIGGO: A CARA DO BRASIL” e os planos para sua estreia em Angola.
QG DA MÚSICA: Depois de construir uma trajetória tão forte como compositor, o que te motivou a transformar tudo o que você viveu nos bastidores em uma carreira como intérprete e assumir de vez o protagonismo da sua própria história?
DIGGO: Foi bem natural, não foi algo estratégico. Logo depois de começar a compor eu comecei a cantar e até chegar aqui acho que foi um caminho de amadurecimento e network. Por eu passa por vários gêneros, acho que isso ajudou.
QG: Você já escreveu para artistas de diferentes estilos. Como essa experiência ajudou a construir a sonoridade e a identidade que você busca agora como cantor?
D: Pela gente ser de Salvador e eu sempre acho que aqui tem muita informação, e é diferente. Os compositores que já conheci daqui sempre são mais versáteis, do pagode ao sertanejo ao pop, que dá pra ver nas minhas músicas também. Acho que levo muito isso para meu lado cantor, tento sempre diversificar os estilos musicais. A composição me permite ser mais versátil, mesmo sendo de um gênero só.
QG: A Bahia está muito presente na sua identidade artística. O que você faz questão de levar da cultura e da música baiana para o Diggo que o público conhece hoje?
D: A musicalidade e o jeito baiano de ser. A “Hipnotiza” diz muito sobre isso, uma música gostosa de ouvir, mas tem aquele jeito engraçado e a vibe boa. Mesmo que eu fale de amor na música, eu tento trazer muita dança, corpo e sensualidade. Eu trago a Bahia como um todo, e não só na musicalidade, mas como ser baiano de fato.
QG: “Hipnotiza”, com Léo Santana, ganhou uma força enorme no Carnaval de Salvador. O que essa parceria representou para você e como ela mudou a percepção do público sobre o seu trabalho?
D: Antes da gente gravar com o Leo, a estratégia foi potencializar não só a música, mas também meu nome e minha carreira. Leo abraçou muito mais do que a gente queria, chegava nos shows e no Instagram e falava sobre, ele comprou a história de uma forma que nem a gente imaginava, foi incrível pra gente.
QG: O “PagoDiggo” começou para 200 pessoas e agora caminha para uma edição com milhares de pessoas. Em que momento você percebeu que o projeto tinha se transformado em algo muito maior do que um evento?
D: Na segunda vez que a gente fez. A primeira vez que fiz o “PagoDiggo” foi pra realização pessoal, eu ia parar de cantar e ia voltar só para a composição, estava investindo em um gênero musical que não estava indo pra frente. A galera me pedia para cantar samba e pagode, porque eu tinha uma banda antes, a Demorô. Quando gravo o “PagoDiggo” e consigo vende ingresso pra 250 pessoas e no segundo já pra 600 pessoas, eu vejo que aquilo já vai dar um movimento e uma parada massa. Agora o próximo já terá milhares de pessoas, na segunda vez já entendi que aquilo ia dar certo.
QG: O projeto “DIGGO: A CARA DO BRASIL” reúne clássicos do pagode, participações especiais e uma música inédita. O que você queria mostrar sobre sua personalidade e suas referências através desse audiovisual?
D: Eu queria mostrar a verdade no meu trabalho e o storyteling daquilo. As músicas que eu canto ali eu lembro de lá trás, lembro da minha avó e vizinhos escutando. Eu queria trazer aquela coisa das antigas mesmo, a conexão do que é ser brasileiro. Tinha a Copa no meio, e queria falar sobre isso também, mas era acreditar no ser brasileiro mesmo, você conhece o Brasil e conhece o pagode também. Acho que a gente conseguiu dar esse recado e trazer músicas que tocam as pessoas de verdade e que contam histórias de vida do Brasil inteiro, o objetivo foi cumprido.
QG: Você está preparando uma apresentação em Angola. O que o público pode esperar desse show e o que você pretende levar da sua identidade e da música baiana para esse novo palco internacional?
D: Pretendo levar eu mesmo, acho que vou me reconectar com as minhas origens, não só com a energia, mas com a sonoridade mesmo. Acho que Salvador tem muito da Angola, então espero que a galera sinta o mesmo que eu, se conectar comigo como se eu fosse uma pessoa de lá.
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