“No Varal”: VALLADA estende seus dilemas com a arte em novo single
On 27/09/2025 by Fabio GomesA relação com a arte, como em qualquer relação, não é inteiramente estável. Tem fases de paixão e outras de silêncio, momentos de entrega mútua e outros de afastamento. É esse ciclo, tão comum à vida de qualquer pessoa, que move “No Varal”, novo single do cantor e compositor VALLADA — que chega às plataformas digitais no dia 26 de setembro como o terceiro lançamento do álbum “Umami”.

Capa do single “No Varal”
Depois de cantar sobre os desafios de ser artista independente em “Alto Mar” e criticar os bastidores do mercado em “Muito Prazer”, VALLADA agora mergulha em terreno mais íntimo. “No Varal” fala de uma relação que foi se desidratando, perdendo força, até ser estendida no tempo, como uma roupa esquecida no sol. A princípio parece uma música sobre uma antiga parceria amorosa, mas no contexto do álbum “Umami” é também sobre sua relação com a própria arte.
Como ele revela: “essa música pode tanto ser interpretada como uma história interpessoal, mas também como uma relação com o próprio fazer musical, com aquilo que sempre foi o nosso motivador, o início de tudo, e que às vezes vai se perdendo em nome de outras coisas, como status, ego e vaidade”.
Essa tensão na relação se traduz também na harmonia da canção, que começa com acordes carregados e versos suspensos, fugindo das expectativas melódicas. No refrão, porém, a música se abre — como um suspiro possível de reconexão. “Quem sabe a gente se encontra naquele sarau, tomando cerveja barata na Pedra do Sal?”, canta VALLADA, evocando aquela faísca despretensiosa em que a conexão com o outro — e com a arte — volta a acender.
Natural de Niterói (RJ), VALLADA começou sua trajetória como Arthur Valladão, transitando entre o rock alternativo e o indie. Em sua nova fase, mais madura e provocadora, assume um lugar entre o cronista e o confessor — com letras que atravessam a estética da nova MPB, mas sem cair em suas fórmulas.
Seu álbum “Umami”, previsto para o primeiro semestre de 2026, propõe retratar os sabores complexos da vida artística — esse “quinto gosto” difícil de nomear, mas impossível de ignorar. Até lá, ele vai revelando uma faixa por vez.
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