QG Entrevista NAPA #21
On 15/07/2025 by Fabio GomesA banda portuguesa NAPA vem conquistando ouvintes ao redor do mundo com “Deslocado”, uma balada melancólica e universal sobre não se sentir em casa, mesmo estando onde deveria estar. Após representar Portugal na Eurovisão e viralizar nas redes sociais, a banda vive agora um momento de expansão internacional. O single, que nasceu de uma experiência pessoal dos integrantes ao deixarem a Ilha da Madeira para estudar em Lisboa, se transformou em hino para quem carrega o sentimento de desenraizamento.

NAPA (Crédito: Reprodução/Instagram)
Em entrevista ao QG DA MÚSICA, o grupo reflete sobre o poder da identificação, os próximos passos da carreira e a responsabilidade de emocionar com letras em português.
QG DA MÚSICA: “Deslocado” se tornou um verdadeiro hino para quem não se sente pertencente ao lugar onde vive. Como vocês sentem o impacto dessa música na vida das pessoas e como lidam com esse tipo de identificação tão forte do público?
NAPA – João Guilherme Gomes: Para nós, tem sido uma surpresa diária desde que lançamos essa música. Essa canção fala sobre a nossa saída da Ilha da Madeira, uma ilha pequenininha de Portugal. Quando lançamos, percebemos que não era só sobre a nossa história, era também sobre outras pessoas. Muita gente se identificou, não só madeirenses, mas também vesuvianos, portugueses e estrangeiros. Começamos a entender o poder universal dessa canção e, quando fomos para a Eurovisão, percebemos isso ainda mais: o público se identificava. Agora, no Brasil também. Para nós, é uma grande honra e é surpreendente ver o poder da música. Ela continua nos surpreendendo a cada dia com novas trends e mensagens de pessoas que nunca vieram a Portugal e, mesmo assim, não se identificam com o próprio país ou com o lugar onde vivem.
QG: A música traz essa sensação de estar fora de lugar. Esse sentimento vem de algo que vocês já viveram? Em que outros momentos da vida sentiram que não se encaixavam?
NAPA – João Rodrigues: Exato. Essa canção retrata a nossa experiência pessoal de ter saído da Madeira, de onde somos, e ido para Lisboa estudar na faculdade. Foi o que nos aconteceu, mas é algo muito comum: mudar de cidade ou de país para estudar, seja para o Porto, Coimbra ou Lisboa. Percebemos também que essa música tem um duplo significado. Não é só sobre cinco pessoas indo para a faculdade, mas sobre aquele sentimento de, mesmo indo para uma cidade onde sabemos o que precisa ser feito, aquilo nunca será casa. Mesmo que a vida esteja lá, nunca será casa.
Francisco Souza: Sim, acho que isso transparece muito bem na música. Há pessoas que compartilham histórias e têm esse sentimento ligado a um lugar físico. Um sentimento transversal de sentir falta de alguém, de não estar bem em um lugar sem essa pessoa, de não ter essa sensação de casa. É algo que, aparentemente, muita gente carrega, e que a música capta muito bem.
QG: Vocês venceram o Festival da Canção e representaram Portugal na Eurovisão com ‘Deslocado’. O que essa experiência mudou na banda e na forma como enxergam a carreira internacional daqui pra frente?
NAPA – João Guilherme Gomes: Conseguimos esse alcance internacional que nunca pensamos ser possível. Quando criamos a banda, não tínhamos grandes pretensões de sucesso fora de Portugal, até porque cantamos em português europeu e sabíamos que isso dificultava a internacionalização, e estávamos em paz com isso. Agora, parece que temos uma oportunidade real de expansão internacional e vamos tentar agarrar essa chance da melhor forma possível.
QG: Após o sucesso no Brasil e em outros países europeus, quais são os próximos passos para expandir a música de vocês globalmente? Há planos para novas parcerias ou turnês fora de Portugal?
NAPA – João Guilherme Gomes: Já temos um concerto marcado fora de Portugal, em Madri. Vai ser a nossa primeira vez tocando fora, sem ser pela Eurovisão ou algo associado a ela. Sabemos que temos um público internacional e queremos sentir esse carinho de perto. Sobre parcerias, acho que, se surgir algo que faça sentido para nós e de forma natural, pode acontecer. Tudo ainda é muito novo para a gente nesse aspecto internacional.
Francisco Souza: Sem dúvidas, há muitos artistas, principalmente brasileiros, com quem adoraríamos trabalhar. Já temos algumas possíveis colaborações. Tem muita gente do Brasil que é ídolo para nós e, se surgirem oportunidades, vamos ver se conseguimos fazer algo.
QG: Vocês vão se apresentar nos Coliseus do Porto e de Lisboa em janeiro de 2026. Já começaram a planejar algo especial para esses shows, como novos arranjos, participações ou surpresas no repertório?
NAPA – João Rodrigues: Temos outros concertos agora e compromissos para cumprir, mas os Coliseus estão na nossa cabeça. Estamos trabalhando para isso. Queremos estudar o espetáculo como um todo, não só musicalmente, mas também visualmente. Acreditamos que o visual é um suporte importante do concerto, então estamos planejando essa parte com alguns artistas plásticos e gráficos. Até lá, sabemos que queremos fazer um show diferenciado, à altura do que esses palcos merecem.
João Lourenço: É uma honra também. Durante muitos anos, o Coliseu foi a principal sala de espetáculos em Lisboa e no Porto. É um nome muito respeitado. É uma honra tocar num palco com tanta história, que já recebeu artistas incríveis.
QG: Vocês começaram cantando em inglês e decidiram abraçar o português como idioma principal. Como essa escolha impactou a identidade da banda e a conexão com o público?
NAPA – João Guilherme Gomes: Nós começamos a compor em inglês porque era mais fácil, ouvíamos mais músicas nessa língua e imitávamos as bandas que gostávamos. Mas, quando começamos a escrever em português, deu um ‘clique’. Eu, que sou o compositor da banda, percebi que me expressar em português era muito mais fácil. É a minha língua materna, então consigo encontrar formas mais frescas e criativas de dizer as coisas. Isso foi determinante para a identidade da banda. A partir daí, alcançamos mais pessoas, e a conexão com o público português também ficou mais forte. As pessoas se identificam com a sonoridade e, principalmente, com as letras.
QG: O YouTube foi fundamental no crescimento da banda. Como vocês enxergam hoje o papel das redes sociais no trabalho de vocês e o quanto elas influenciam as estratégias de lançamento e comunicação?
NAPA – João Rodrigues: Acho que, hoje em dia, as redes sociais são plataformas essenciais para a conexão direta com fãs e seguidores. Um story ou vídeo vai direto da boca de quem fala para o ouvido de quem ouve. Essa ponte é muito importante na comunicação entre artistas e público. Em relação aos números, sabemos que o TikTok, por exemplo, é quase uma coisa irreal, com trends, milhares de vídeos, milhões de respostas e comentários. Para nós, é importante tentar transformar essas visualizações em ouvintes reais no Spotify. Ter essa possibilidade de descoberta é algo que as redes facilitaram muito.”
Francisco Souza: Concordo. Hoje em dia, o músico precisa ser também, de certa forma, um influenciador. É necessário um trabalho criativo para divulgar sua música, acompanhando essas trends que impulsionam tanto o consumo musical. Mas, como o João disse, também é importante nos refugiarmos na qualidade da música. Acreditamos no que fazemos e deixamos que a magia da internet cumpra o seu papel.”
João Lourenço: Nosso objetivo é fazer boa música, como o Francisco e o João disseram, e depois deixar acontecer. Se for pra acontecer, vai. Se não acontecer, não estava destinado. A trend de ‘Deslocado’ foi se multiplicando de várias formas. Primeiro, com vídeos de pessoas longe da terra natal. Depois, com a versão ‘a quantos meses’…”
João Guilherme Gomes: Essas trends surgiram organicamente. Nenhum de nós planejou. Elas simplesmente aconteceram e fomos acompanhando tudo de fora, em choque. Foi sorte, um acaso. Temos muito a agradecer. Não foi algo que buscamos ativamente.
João Rodrigues: Acho que agora só falta o remix anos 80 de ‘Deslocado’ com IA.
You may also like
1 comment
Deixe um comentário Cancelar resposta
Arquivo
- Março 2026
- Fevereiro 2026
- Janeiro 2026
- Dezembro 2025
- Novembro 2025
- Outubro 2025
- Setembro 2025
- Agosto 2025
- Julho 2025
- Junho 2025
- Maio 2025
- Abril 2025
- Março 2025
- Fevereiro 2025
- Janeiro 2025
- Dezembro 2024
- Novembro 2024
- Outubro 2024
- Setembro 2024
- Agosto 2024
- Julho 2024
- Junho 2024
- Maio 2024
- Abril 2024
- Março 2024
- Fevereiro 2024
- Janeiro 2024
- Dezembro 2023
- Novembro 2023
- Outubro 2023
- Setembro 2023
- Agosto 2023
- Julho 2023
- Junho 2023
- Maio 2023
- Abril 2023
- Março 2023
- Fevereiro 2023
- Janeiro 2023
- Dezembro 2022
- Novembro 2022
- Outubro 2022
- Setembro 2022
- Agosto 2022
- Julho 2022
- Junho 2022
- Maio 2022
- Abril 2022
- Março 2022
- Fevereiro 2022
- Janeiro 2022
Calendar
| S | T | Q | Q | S | S | D |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | ||||||
| 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 |
| 9 | 10 | 11 | 12 | 13 | 14 | 15 |
| 16 | 17 | 18 | 19 | 20 | 21 | 22 |
| 23 | 24 | 25 | 26 | 27 | 28 | 29 |
| 30 | 31 | |||||

I believe this site has some rattling fantastic info for everyone : D.